Ele acaba de lançar um álbum e já coleciona críticas. Aqui, Ramalho devolve pedradas em forma de ataques à mídia e ao jornalismo. E fala de drogas e de ETs
Zé Ramalho é fã de Bob Dylan e Raul Seixas mas não é tiete, tanto que preferiu não conhecer o músico quando ele fez show no Brasil. Neste mês, o músico lança Zé Ramalho canta Bob Dylan (EMI) com versões em português das canções do americano. Antes mesmo de chegar às lojas o novo trabalho já vinha sendo fortemente criticado pela imprensa porque Zé teria feito traduções literais das músicas. Ramalho recebeu a reportagem do JT no Rio de Janeiro, no escritório de sua produtora, a Jerimum Produções, e não censurou perguntas. Falou desde sua experiência com cogumelos alucinógenos até o suposto contato com uma entidade extraterrestre.
Por que fazer versões brasileiras das músicas do Bob Dylan?
Fazer um disco de versões de Dylan em inglês é uma coisa que o mundo todo faz. Saiu no ano passado, por exemplo, o disco Dylanesque, de Bryan Ferry. A minha intenção de fazer letras em português é um pouco romântica. É um trabalho difícil. Muitas vezes você traduz a letra de uma canção em inglês sendo que a sonoridade em português é diferente.
Como conseguiu autorização de Bob Dylan?
Eu não o conheço pessoalmente, apesar de ter ido ao show dele no Rio de Janeiro, no início do ano. Nunca quis ser tiete. Continuo sendo seu fã, ele é uma pessoa que me inspirou muito. Preparei um pacote com a tradução de todas as músicas e Aluízio Reis, presidente da Sony Songs, foi mostrar para a assessoria de Dylan. Da parte dele não houve qualquer constrangimento em achar que eu estava deturpando suas canções ou fazendo caricaturas. Ele autorizou todas sem observações e ainda pediu que mandasse o disco para ele guardar no acervo.
Como foi fazer este projeto?
Estava amadurecendo há muitos anos. É um projeto pessoal, não se trata de homenagem, tributo. Fiz o projeto de forma clara, transparente e sem qualquer vergonha. Nos próximos anos pretendo repetir a dose e lançar Zé Ramalho Canta Luiz Gonzaga e Zé Ramalho Canta Jackson do Pandeiro.
Está preocupado com a reação dos fãs de Dylan?
Pode até ser que exista alguma reação dos fãs de Dylan, ou não. Eles podem gostar quando perceberem que o trabalho foi formatado para uma língua tão difícil quanto o português.
Como encara os críticos?
Nunca tive um disco, em toda a carreira, que não fosse em algum momento malhado por algum setor da crítica (no dia da entrevista foi publicada no Rio de Janeiro uma crítica ferrenha ao novo disco de Ramalho). Sabe aquele ditado: “os cães ladram, mas a caravana passa?” Todo ano lanço um disco de carreira e vou passando com minha caravana. A cachorrada sempre late e sei que se jogar algumas migalhas de minha atenção eles vão parar, mas eu não faço isso. Sigo em frente, deixo eles latindo com fome, com raiva. Sempre foi assim e sempre será. Nunca andei de mãos dadas com a crítica, não vou me envolver com isso.
Ficou com receio deste trabalho ficar aquém dos autorais?
A sonoridade que conseguimos com este disco foi espetacular. A pessoa para avaliar um disco como esse tem de conhecer muito dos dois trabalhos e principalmente de música brasileira. É fácil ouvir um trecho de cada música e escrever algo para justificar o seu trabalho. O editor que manda você cobrir música também o manda escrever sobre o lançamento de peças íntimas femininas. Você não escolhe o que quer fazer. Estamos nas mãos de estagiários ou pessoas que estudam um ano e seis meses para aprender apenas o métier. São essas as pessoas que escrevem sobre seu trabalho. Não dá para levar a sério.
Você já disse que fumava maconha para compor. Ainda mantém esse hábito?
Hoje em dia, não mais. Foram coisas superadas. Não que a maconha seja danosa. A maturidade traz isso para você. Todas as experiências que tive com a maconha, cocaína e cogumelo foram coisas do período de garoto. A maconha eu estendi por alguns anos porque abria a cabeça e me dava inspiração. Hoje em dia sou uma pessoa completamente sóbria.
Como você lidou com o tema drogas com seus filhos?
Sempre fui muito discreto com as drogas, nunca fui pego em lugar público. Nunca houve algum flagrante, sempre fiz essas coisas na minha caverna. Depois que eles cresceram conversei com cada um. Minha filha mais nova vai fazer 14 anos. Explico para eles do que se trata e nunca tive embaraços. Tenho seis filhos de idades diferentes. São pessoas que me inspiram e me deram muita força.
Você se acha o seguidor da obra de Raul Seixas?
Tudo o que as pessoas sentem é verdadeiro, eu não posso rejeitar uma atitude e uma avaliação dessas. Eu me deixo levar. Permito e sinto isso. A admiração que eu tenho por Raul é muito grande. O Raul era um gênio, trazia para a sua música filosofia do povão.
É padrinho de um museu de ufologia no Rio Grande do Sul. Como é sua experiência com ETs?
A questão dos discos voadores é longa, mas eu acredito nessas coisas. Não digo que é religião, mas é minha referência da criação do mundo, sobre quem somos e de onde viemos. Não só acredito como tenho certeza. Faço disso, no entanto, uma coisa muito discreta. Quando você conversa sobre disco voadores as pessoas riem de você, chamam de maluco. Ninguém procura um disco voador, simplesmente acontece.
Já teve algum contato desses?
Quando eu estava fazendo a música Avohai eu tive uma aproximação grande do que se pode chamar de contato. Não foi nada de alguma criatura. Eu estava fazendo uma experiência com cogumelos alucinógenos. Quando você está com substância na cabeça, sente e pode ver coisas além. Vi uma nave em cima de mim. Foi durante essa experiência que tive a mensagem da música. Eu a considero a melhor música da minha vida. Ela apareceu desse jeito, de uma forma mediúnica. Acredito que somos uma experiência de civilizações superiores às nossas. Dizem até que a tecnologia das fibras ópticas e do forno de microondas foram passadas pelos alienígenas, nos EUA, no local que eles chamam de Área 51.
Você acredita em Deus?
Deus é um conceito. Raul Seixas já dizia: ‘Deus é aquilo que me falta para compreender o que eu não compreendo’. Aceito que as pessoas tenham isso como algo sério, mas Deus é uma criação do homem, mais do que o homem é criação de Deus.
Hoje é mais difícil trabalhar com música do que há 10 anos?
É mais difícil porque tudo virou uma selvageria. O romantismo foi banido das rádios e estações de TV. Quando um artista está lançando um show toda a mídia vai atrás das celebridades que estão na platéia. O artista lá na frente é só pretexto, não tem mais a mínima importância. Um show de artista hoje só é considerado importante mediante o número de celebridades que consegue ter em sua platéia. Quanto aos críticos de música, não reverencio esses caras. Alguns ficam zangados por eu não falar com eles. Vai chegar o dia em que não vou fazer mais nem isso aqui, o olho no olho. Vou fazer tudo por e-mail. Já deveria ter tomado essa decisão. Depois de muitas entrevistas você começa a atropelar as suas respostas. O e-mail me dá a chance de, solitariamente, responder com calma.
Você se considera um poeta?
Modestamente, sim. Foi o que eu consegui com muito custo.
Fonte:
Felipe Branco Cruz
Jornal da Tarde
sexta-feira, 26 de dezembro de 2008
Eu Nunca tive um Disco que Não Fosse Malhado pela Critica
quinta-feira, 24 de julho de 2008
Zé Canta Beatles
O CD duplo Álbum Branco em homenagem aos 40 anos do disco dos Beatles terá a participação do Zé com a música "Dear Prudence", o cd vai ser lançado ainda este ano pela gravadora Coqueiro Verde de propriedade do cantor Erasmo Carlos.
quarta-feira, 9 de julho de 2008
Zé e Bob
As canções do disco que Zé Ramalho homenageará Bob Dylan receberão letras em português e todas foram aprovadas pelo homenageado tendo a inconfundivel sonoridade do Zé Ramalho, além dessas versões haverá uma música inédita e a gravação em inglês da música "If Not For You".
Este CD/DVD tinha como primeira previsão de ser gravado ao vivo por todo o mês de junho na cidade do Rio de Janeiro pela EMI Music.
terça-feira, 1 de julho de 2008
Matéria na "Veja"
Zé Ramalho da Paraíba, Zé Ramalho (Coqueiro Verde) – O cantor e compositor paraibano já foi um artista interessante. A prova está nessa coletânea dupla, que traz trechos de apresentações feitas entre 1973 e 1977. A qualidade do áudio às vezes deixa a desejar, mas a receita musical de Ramalho – que incluía música nordestina, psicodelia e rock pesado – até hoje permanece inovadora. O primeiro disco privilegia as canções mais raras de sua discografia. É o caso de Táxi Lunar, com uma letra diferente da versão gravada em estúdio, e do rock Brejo do Cruz. O segundo disco, por seu turno, traz alguns dos hits de sua carreira, como Admirável Gado Novo, aqui apresentado em uma bela versão acústica.
Fonte:
http://veja.abril.com.br/020708/veja_recomenda.shtml
segunda-feira, 23 de junho de 2008
Paêbiru vai virar Documentário
O Álbum Paêbiru gravado em Recife em 1975 na gravadora Rozenblit por Zé Ramalho e Lula Côrtes vai dá origem a um documentário a ser dirigido pelo jornalista, diretor e roteirista Cristiano Bastos da Flesh Nouveu! Filmes, o documentário já está sendo filmado nas cidades de Brasilia, Porto Alegre, Recife e Rio de Janeiro, a trilha sonora vai ficar a cargo de Lula Côrtes e já tem diversas gravadoras interessadas em lançar o DVD.
sábado, 21 de junho de 2008
"Paêbiru" O Disco mais caro do Brasil

Depois de anos tido como o disco mais caro do Brasil, o vinil de "Louco Por Você", primeiro álbum de Roberto Carlos, perdeu seu lugar para "Paêbiru", produzido em 1975 por Lula Côrtes e Zé Ramalho.
Ele vale aproximadamente R$ 4 mil e outro disco que também tem a marca do Zé Ramalho está na lista dos discos mais caros do Brasil é "No Sub Reino dos Metazoários" com a participação de Marconi Notaro que vale aproximadamente R$ 2 mil.
História
Nos idos de 1973 José Ramalho Neto tocava em bailes na capital João Pessoa e no interior, mais precisamente na cidade de Campina Grande, foi quando Raul Córdula um pintor lhe disse que em Recife havia uma nova onda musical, que era chamado de "udigrudi pernambucano" que era comandado por Lula Côrtes, ele tinha assumido a posição de lider durante a I Feira Experimental de Música do Nordeste (1972), que também ficou conhecida como Woodstock Cabra da Peste.
Em 1974 Zé Ramalho conheceu Lula, e este lhe falou de sua idéia de produzir um disco inspirado do sitio arqueológico do Ingá, este disco foi produzido no Estúdio da Rozenblit em 1975 mas a enchente do Rio Capibaribe em julho levou quase todos os discos, só restando cerca de 300 cópias que tinha sido levadas para a casa de Lula
Em formato digital foi lançado pelo selo alemão Shadoks que se você for comprar sai quase por 200 R$.
Este disco foi dividido em quatro partes, Ar, Água, Fogo e Terra, são 11 canções.
01. Trilha de Sumé/Culto à Terra/ Bailado das Muscarias
02. Harpa dos Ares
03. Não Existe Molhado Igual ao Pranto
04. O M M
05. Raga dos Raios
06. Nas Paredes da Pedra Encantada
07. Marácas de Fogo
08. Louvação a Iemanjá
09. Regato da Montanha
10. Beira Mar
11. Pedra Templo Animal
sexta-feira, 20 de junho de 2008
Músicas do Novo Disco
Disco 1
1. Táxi Lunar
2. Jacarepaguá Blues
3. O Autor da Natureza
4. Brejo do Cruz
5. Puxa Puxa
6. Luciela
7. Paraíba Hospitaleira
8. Terremotos9. Falido Transatlântico
9. A Árvore
10. A Peleja de Apolo e Pam
11. O Astronauta
12. Meninas de Albarã
13. Aboio Eletrônico
Disco 2
1. O Sobrevivente
2. Jardim das Acácias
3. Discurso 1
4. Avôhai
5. Discurso 2
6. Adeus Segunda-feira Cinzenta
7. A Dança das Borboletas
8. O Monte Olímpia
9. Admirável Gado Novo (Ao vivo no Rio)
segunda-feira, 9 de junho de 2008
sexta-feira, 30 de maio de 2008
Sinônimos
A nova novela da Rede Globo (A Favorita) que estréia dia 2 de junho vai ter como uma de suas principais músicas de sua trilha musical a música Sinônimos interpretada por Zé Ramalho e Chitãozinho e Xororó.
Zé Ramalho da Paraiba
O CD duplo Zé Ramalho da Paraiba já está à venda nas Livrarias Saraiva.
http://www.livrariasaraiva.com.br/produto/produto.dll/detalhe?pro_id=2538687&PAC_ID=2039
segunda-feira, 12 de maio de 2008
Entrevista com Zé Ramalho sobre seu novo CD
O restante da entrevista você encontra no blog
http://ramalheando.blogspot.com
sexta-feira, 9 de maio de 2008
Homenagem a Bob Dylan
No mês de julho Zé Ramalho gravará em Recife o CD/DVD "Tá Tudo Mudando". todo ele é em homenagem a Bob Dylan.
quarta-feira, 23 de abril de 2008
Raridades do Zé Ramalho

Em maio vai ser lançado o disco ZÉ RAMALHO DA PARAIBA, é um disco com gravações raras do Zé Ramalho, Ricardo Garcia foi o responsável pela masterização do Cd duplo, a masterização foi feita a partir de Fitas K-7 antigas do Zé, o CD vai sair pelo Selo Discobertas.
sábado, 15 de março de 2008
Homenagem a Zé Ramalho
No quadro "Homenagem ao Artista" dessa semana no programa Raul Gil a música nordestina vai ser homenageada através de Zé Ramalho.
Alguns dos talentos descobertos no Raul Gil estiveram no palco para homenagear Zé Ramalho:
Felipe Haniel - Frevo mulher
Alex Jr. - Sinônimos
Mayck e Lyan - Chão de giz
Ricky Vallen - Mulher nova, bonita e carinhosa faz o homem gemer sem sentir dor
Não perca o Programa Raul Gil neste sábado às 15h na Band.
quarta-feira, 12 de março de 2008
Sete Poemas Familiares
POEMA UM
as pestanas do braço do violão
dormem sob as cordas em letargia
vindas do som das flêrpas macias
despertam sob os trastes / abandonados
vividos e pressionados em posição dúbia
reinventam armações
conhecem o tato do seu dono
dedos encerram tonantes medonhos
e o bojo do seu violão
estômago feito em madeira
e o desempenho das mãos
gemeram quando ecoaram
respondendo à fricção faiscante
do raio-aço inoxidável
primas / irmãs / bordões e mães d'água.
POEMA DOIS
escrever para a mãe
como quem escreve para o início
para a origem do primeiro sopro
para as carnes que me envolveram
em meu corpo pleno de plasma
escudo cama e o teto
quando tudo era de cristal
mulher de ferro / derretida em fogo
lava cuspida em dor e cor
estaticamente parada / de pé
escorrega e espera-me
que um vulto passe e lhe toque
sua epiderme metálica e macia
rígido olhar de procuras
mordidas de átomos
alquímicas e nuas
suas duras paixões
e os movimentos quebraram
dunas e arestas do estômago
que a mim tão bem me cabiam.
POEMA TRÊS
meus passos são meus amigos
meus passos são inimigos
do chão que não caminhar
moleques de rua
garotos de pele nua
molambos de se lavar
de fato são companheiros
foram oleiros
do barro que eu não pisei
quando anoitece
desentristece pelas pedras
e pelas as matas
o calcanhar impossível
e invulnerável do sertão
convidando-me a cavalgar
no teu dorso desmontado
como peças brilhantes
de automóveis acidentados
luminosos desastres
jogaram no meio da noite
o que jorrou da tua boca
inexplicavel segredo
os dentes da madrugada
trincaram teu desamor
morderam tua chegada
marcaram eu pecador
a lâmina quente do sol
cortou a sombra do dia
e um silêncio pousou
nas trevas secas do dia.
POEMA QUATRO
como será impossível
esconder no pensamento
quando pela medida linear do metro
eu estou racionalmente longe de você
quando pela medida estranha do insólido
eu estou perto e até dentro de você
sentindo as emoções que te movimentam
e que passeiam e dormem
dentro de mim / todos os dias
como cordinhas transparentes
como encontros revitalizantes
como comida / como alegria / como bebida
como no sono
faço parte da tua coluna vertebral
estás nos meus cabelos e pernas
encontro tua luz nas íntimas pedras
e com a impressão digital do espírito
como o despertar dessas coisas
de todas as coisas do início
do comêço do primeiro movimento
das sinfonias
do gen
do grão
e do grande.
POEMA CINCO
faz um ano que João respira
um resfolego como o do fole
remexendo / procurando / escutando
aprendendo tudo o que lhe provoca
ressonando em sonhos
pedaços de estrelinhas
que terminam em choros de amor
sua luz veio de um poço de cor
mais ensina que mais aprende
permanece nos brilhos do ser
que responde nas suas entranhas
a final carne filho da mãe
com desenhos do símbolo pai
representa um terço de todas as coisas
um terço rezado como se fosse novena
o resto é a soma do que tem que ser seu
desenvolver essas partes
conforme a sua história / conforme a memória
conforme a novena / e a graça alcançada
e o próximo passo
será dado na frente
daquilo que se entreolha
à reta que parte da íris
no sentido vasto / de qualquer direção.
POEMA SEIS
hildebrando / brando como mãe
calmo como um beijo de amor / não de paixão
amigo / pássaro sem hora
de voar quando quiser ir e voltar
gôndola de leme plácido
superficie de cisne / quase inundou
a fala pelo rio antigo / quase acertou
a verdadeira entidade desse pacificador
é o cacique
que leu a carta / que é teu amigo
és solitário / és caçador
admirável homem / és salvador
aquela história do primeiro homem
que por sua vez
aqui chegou e começou tudo
devem ter sido iguais
a tua doida bonança
de querer tanto bem ao próximo
coisa rara de ter hoje em dia
comungantes nessa profissão
POEMA SETE
na tarde antiga
a criança e o jovem
cuidavam das rugas
dos seres mortais
pois há nos anúncios
dos seus ancestrais
uma doença que corre
por frente e por trás
o homem que fica
na tábua oscilante
constrói o instante
esquece a altura
retém a vertigem
não morre de medo
do mestre de obras
por entre os morros
da guanabara espremem-se
as colméias de cimento
o recorte cinza da paisagem
nesses relevos de pedra e sonho
sufocam os beijos dos namorados
trocados em plena praça pública
os namorados existem
as abelhas existem
o mel adoça
o beijo é doce
a rainha é solitária
e o sol prossegue sua rotina diária
sem saber mais para onde ir
poderia seguir calmamente
sua pegada de fogo
mas minha cabeça
não cabe nesse pacote
nem a lua também
me mostraria seus pudores frios
então só me resta
olhar a densa neblina
desses olhos que bem poderiam ser
os olhos do próprio Deus.
sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008
Zé Ramalho
Já perfilado como o Bob Dylan do sertão por conta de suas canções verborrágicas, Zé Ramalho vai estrear na gravadora EMI Music com disco em que verte músicas do autor de Like a Rolling a Stone, aliás, tarefa à qual ele volta e meia se dedicou em seus mais de 30 anos de carreira fonográfica. Frevoador, a faixa-título do álbum que lançou em 1992, era versão de Hurricane. E um dos maiores sucessos do cantor é Batendo na Porta do Céu, versão fiel de Knockin' on Heaven's Door. O CD sairá em meados de 2008.

