domingo, 28 de dezembro de 2008

Entrevista com Roberto Dinamite



Em que momento surgiu a idéia de disputar a presidência do Vasco?
Existia uma cobrança muito grande do torcedor vascaíno pedindo e desejando mudanças. E nós já tínhamos um grupo de pessoas trabalhando com o objetivo de ver um Vasco mais igual, de ter uma relação melhor com a imprensa, com todo mundo, voltado para suas origens, sua tradição. Também houve um desejo do torcedor vascaíno de me ver presidente para tentar, junto com essas pessoas, mudar a história que temos aqui hoje.

Dá para conciliar a vida de deputado estadual e de presidente do Vasco?
Acho que sim, porque temos uma visão de administração diferente de tudo que estava sendo feito dentro do clube. Vamos ter dentro de cada setor pessoas preparadas e com autonomia para desenvolver, com competência, aquilo que se faz necessário dentro do nosso clube. Temos de trabalhar em duas pontas: olhar o esporte, o futebol como o carrochefe, e ter uma preocupação com a parte administrativa e financeira, atendendo às necessidades não só dos atletas, como as dos funcionários. Com isso, fazer uma administração plural, no sentido de que, em cada setor do clube, teremos pessoas com autonomia para tocar e fazer aquilo que é o desejo, não só meu, mas de todas as pessoas que fazem parte da nossa chapa.

O que passou por sua cabeça quando se sentou, já como presidente, para assistir a Sport x Vasco, na Tribuna de Honra do Vasco, local em que foi expulso pelo ex-presidente Eurico Miranda em 2002?
Estar na Tribuna de Honra do clube, para mim, foi motivo de orgulho, mas nunca olhando para trás no sentido de dizer ‘olha, vocês me tiraram daqui e hoje estou aqui como presidente’. Quero que essa situação possa servir não como exemplo, mas como referência, para que futuros presidentes do Vasco possam tratar, cuidar e preservar a história do clube. Não tenho ressentimento contra qualquer pessoa. Espero que as pessoas estejam rezando para que os fluídos negativos não se manifestem aqui dentro do Vasco.

Qual é a sua análise do Eurico Miranda?
É difícil analisar ou julgar alguém. O que eu penso é o seguinte: você tem que dar oportunidade para que as pessoas possam mostrar no dia-a-dia o que elas realmente são. Qualquer pessoa merece ser tratada com respeito. Costumo dizer que, na vida, tudo é uma troca, se eu te trato com respeito, você vai me respeitar, se eu te agredir, você vai querer me agredir. Minha vida sempre foi pautada pelo respeito às pessoas. Foi o que aprendi com meu pai. Quero virar essa página e falar das coisas boas que nós podemos fazer. Acho que cada um dá o que tem.

Ao assumir o cargo de presidente, como encontrou as finanças do clube?
Fomos surpreendidos com uma situação um pouco maior do que aquilo que já esperávamos encontrar. A situação é delicada, mas estamos trabalhando. Encontramos o clube numa condição precária para cumprir com suas obrigações, mas vamos dar a volta por cima, porque temos, acima de tudo, muita vontade e competência para inverter esse quadro em curto espaço de tempo.

O que pretende fazer para aumentar a receita?
O caminho é ter uma administração clara, competente, para que você possa buscar não só credibilidade, mas novos parceiros que queiram estar juntos dentro desse processo. Todo grande clube precisa de uma parceria com empresas. Nós vamos buscar isso. Um clube com a tradição e a força do Vasco vai ter esse tipo de relação com pessoas e empresas que compartilhem do nosso espírito de crescer, evoluir. O Vasco não é uma empresa que tem interesse em lucro. O clube quer ter lucro de conquistas, de títulos, e, acima de tudo, cumprir com suas obrigações.

“acho que o futebol evoluiu no condicionamento físico, em comparação com a minha época de jogador. as parteS física e tática evoluíram, mas tiraram um pouco a beleza do espetáculo”

Você disse que o Vasco não pretende ser apenas vitrine para que os jogadores se valorizem, referindo-se à venda do jogador Philipe Coutinho, grande revelação das divisões de base do clube. Qual a sua estratégia para mudar essa cultura do nosso futebol, de vender seus craques?
O que acontece muito hoje é que o jogador é colocado no clube, que serve de vitrine para o mercado, e depois ele vai embora. Queremos fazer um trabalho sério, dando ao jogador uma identificação com o clube. Os grandes clubes vivem com dificuldade, mas há um que é uma referência, pois tem conquistado títulos. Trata-se do São Paulo, que vende jogadores, mas, ao mesmo tempo, traz outros e investe nas divisões de base. Acho que é por aí.

Na sua opinião, qual a diferença do futebol do seu tempo para o atual?
A diferença hoje é em relação aos empresários e procuradores de jogadores de futebol. No meu tempo, você tinha um preparador físico, e hoje você pode ter dois, três preparadores. Há um trabalho mais específico na parte física. Hoje existem aparelhos que conseguem detectar problemas que possam vir a acontecer. Há condições de preparar o atleta de uma maneira melhor. Acho que o futebol evoluiu no condicionamento físico, em comparação com a minha época de jogador. As partes física e tática evoluíram, mas tiraram um pouco a beleza do espetáculo, pois, se você coloca cinco jogadores no meio, o cara vai querer colocar cinco também. Mas continua prevalecendo, no meu modo de ver, o talento do jogador brasileiro, a qualidade individual. As equipes que conseguem conciliar o condicionamento físico e o trabalho coletivo com o talento de um ou outro jogador têm se destacado.

Hoje, quem é o maior centroavante do Brasil?
É difícil dizer, porque em cada momento você tem grandes jogadores surgindo no futebol brasileiro. Nos últimos 15 anos, Romário foi um dos grandes jogadores na posição. O Ronaldo também foi outro grande goleador. E, na Europa, você tem o Cristiano Ronaldo, que é um jogador acima da média.

Na sua época de jogador, qual foi o melhor técnico com quem você trabalhou?
Vai dar uma página da sua revista se eu ficar citando os treinadores que foram importantes. Teve o Rubem, que foi meu primeiro técnico no Vasco, e o Célio de Souza, que foi meu treinador no juvenil. Quem me lançou no time principal não era treinador, mas um preparador físico, que já faleceu, o grande Admildo Chirol.

Você ainda joga futebol?
Não tenho jogado, não! A última vez que joguei foi no Maracanã, num jogo da Arquidiocese do Rio de Janeiro. Tinha padres de um lado, artistas e, no meio de tudo isso, eu e o Zico. Foi uma brincadeira legal, mas no outro dia estava todo dolorido. Hoje não tenho muito tempo para praticar esportes. Mas quero voltar a fazer isso. E, em breve, estar em forma para voltar a jogar minhas peladas.

Como analisa o futebol carioca e brasileiro?
O futebol brasileiro está dentro de um bom nível. Precisa melhorar, na minha opinião, na sua infra-estrutura, assim também como o carioca. Acho que as federações e a confederação têm de discutir o que é melhor para o futebol. E também a televisão, muito importante para os clubes.

Dunga está fazendo um bom trabalho com a seleção brasileira?
Acho que está. O futebol, para o treinador e para todo mundo, é resultado. Quando ganha, você está fazendo a coisa certa; quando perde, as pessoas sempre procuram alguma coisa para criticar. Dunga saiu diretamente da função de jogador para treinador. E aí ficou uma interrogação muito grande. Mas os resultados dão aquela tranqüilidade para colocar em prática seus projetos. O trabalho dele é bom.

Quando seu tempo permite, o que gosta de fazer?
Gosto de descansar em casa, sair com a família e de fazer uma pescaria. Mas, se você olhar minha vida, ela foi 20 anos jogando futebol e, nos fins de semana, dificilmente dava para ficar com a família. Depois veio a política, e agora o clube. Mas sempre que posso procuro estar o maior tempo com a minha família, pois considero isso fundamental.

Fonte:
Paulo Cezar Soares
http://sexyclube.ig.com.br

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